A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou nesta segunda-feira (25) o reforço no monitoramento policial sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a poucos dias da fase final do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em que ele responde por tentativa de golpe de Estado. O pedido foi motivado por alegações de risco de fuga apresentadas pela liderança do PT na Câmara.
Em nota encaminhada ao STF, a PGR recomendou que a Polícia Federal mantenha equipes de prontidão em tempo integral para garantir o acompanhamento em tempo real das medidas cautelares impostas a Bolsonaro.
O documento faz referência a um recurso protocolado na semana passada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu a decretação da prisão preventiva do ex-presidente. Segundo o parlamentar, Bolsonaro teria descumprido reiteradamente as restrições determinadas pela Corte e representa um “risco concreto de fuga” do Brasil.
Bolsonaro, de 70 anos, está em prisão domiciliar preventiva desde o início de agosto, em Brasília, após decisão judicial que considerou que ele violou a proibição de se manifestar em redes sociais. Apesar disso, a Polícia Federal relatou novos episódios de descumprimento, incluindo comunicações com outros réus e o compartilhamento de cerca de 300 vídeos de apoio em grupos de WhatsApp.
A defesa do ex-presidente nega as acusações e afirma que a PF tenta “desmoralizá-lo”.
Durante as investigações, a polícia ainda encontrou um documento de 33 páginas contendo um rascunho de pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O texto, datado de poucos dias após a abertura do inquérito por golpismo, alegava que Bolsonaro sofre “perseguição política” no Brasil.
Além disso, a PF recomendou que ele seja indiciado por tentativa de obstrução da Justiça.
O julgamento no STF teve início em abril e deve ser concluído entre os dias 2 e 12 de setembro. Caso seja condenado, o ex-presidente pode enfrentar até 40 anos de prisão.
Bolsonaro – Foto: Evaristo Sá/AFP