Há 18 anos, o cinema brasileiro ganhava uma de suas obras mais emblemáticas: “Ó Paí, Ó”, dirigido por Monique Gardenberg. O longa, que retrata com humor, crítica e autenticidade o cotidiano do Pelourinho durante o Carnaval, se tornou um símbolo do cinema baiano e do protagonismo negro nas telas.
O filme volta a ser celebrado nesta quinta-feira (9), às 20h, com exibição especial no Open Air Brasil, no Centro de Convenções de Salvador. A sessão terá show de Majur e pipoca inclusa, mas os ingressos já estão esgotados.
Quase não aconteceu
A história de “Ó Paí, Ó” começou muito antes das câmeras. O roteiro nasceu como uma peça teatral, criada por Márcio Meirelles, fundador do Bando de Teatro Olodum. O espetáculo fez tanto sucesso que chamou a atenção de Caetano Veloso, primeiro artista a sugerir a adaptação para o cinema.
Mesmo assim, o caminho até as telonas foi longo. Foram mais de dez anos de espera até que o projeto ganhasse vida pelas mãos de Monique Gardenberg, que reuniu parte do elenco original e adicionou novos talentos, como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Érico Brás e Emanuelle Araújo.
Um marco de representatividade
Ambientado em um cortiço no coração do Pelourinho, o filme mostrou o cotidiano da população negra de Salvador com protagonismo e voz própria — algo raro no cinema brasileiro até então. “Foi a primeira vez que nos vimos nas telas como personagens principais, e não como coadjuvantes”, lembra a atriz Edvana Carvalho, a Lúcia.
O impacto foi tão grande que o longa gerou uma série de TV na Globo (2008–2009) e, anos depois, uma continuação nos cinemas, “Ó Paí, Ó 2” (2023), dirigida por Viviane Ferreira.
Cinema com identidade baiana
Para artistas e críticos, “Ó Paí, Ó” representa muito mais do que um sucesso de bilheteria — é uma virada na história do audiovisual da Bahia.
“O filme marca a presença da nossa fala, da nossa cultura, do nosso jeito de atuar. Ele abriu caminho para uma linguagem baiana no cinema”, analisa o diretor Luiz Marfuz.
A atriz e presidente da Funarte, Maria Marighela, reforça: “Essa obra colocou o Pelourinho no mapa do cinema mundial, mostrando a cultura negra como potência, resistência e beleza”.
Com humor, crítica social e axé, “Ó Paí, Ó” segue vivo 18 anos depois, como símbolo de um cinema autoral, nordestino e popular que transformou a forma de o Brasil se ver nas telas.