Pela primeira vez, o Dia Nacional do Axé Music coincidiu com o último dia do Carnaval de Salvador, transformando a data em um momento simbólico para foliões que acompanharam o nascimento do gênero nas décadas de 1980 e 1990. A celebração misturou memória afetiva, reflexão e discussões sobre o futuro da música que marcou gerações.
Para quem viveu a explosão do Axé nos anos 90, a data trouxe lembranças intensas. A advogada Cristiane Lírio recorda com entusiasmo os pré-carnavais e as primeiras experiências na capital baiana. “Tenho uma memória afetiva muito forte. O Axé marcou minha vida”, contou. Apesar disso, ela avalia que o estilo tradicional perdeu espaço ao longo do tempo, ainda que reconheça o esforço da festa em manter a diversidade.
A pedagoga Deane Amorim, de 50 anos, defende equilíbrio entre tradição e inovação. Ela cita Luiz Caldas como símbolo do início do movimento e reforça a importância de abrir espaço para novos nomes. “Precisamos valorizar quem construiu essa história, mas também incentivar novas revelações para garantir continuidade”, afirmou.
Já a carioca Beatriz Giesta, que vive em Salvador há duas décadas, vê as mudanças como parte natural da evolução do Carnaval. Para ela, o crescimento tecnológico dos trios elétricos e a ampliação da festa não apagam o passado. “O Axé antigo ainda está presente. Tudo evolui, e isso faz parte do desenvolvimento”, disse.
Entre saudade e transformação, o Dia do Axé Music mostrou que o gênero segue vivo nas ruas de Salvador — seja nas lembranças dos anos 90 ou nas novas batidas que apontam para o futuro da folia baiana.
Foto: Olga Leiria /Ag. A TARDE