O município de Jequié, no sudoeste baiano, vive um cenário de contraste. Enquanto a prefeitura já anunciou atrações de peso como Simone Mendes e João Gomes para o São João 2026, a cidade ainda tenta se recuperar dos impactos de um volume histórico de chuvas, que somou 317 mm entre fevereiro e o início de março.
Diante da gravidade da situação, o prefeito Zé Cocá decretou estado de emergência. A medida, publicada no Diário Oficial, reconhece que os danos superaram a capacidade de resposta imediata do município, permitindo o acesso a recursos estaduais e federais.
Rastro de destruição
As fortes chuvas deixaram marcas profundas na cidade. Há registros de casas com danos estruturais, famílias que perderam bens e prejuízos significativos na infraestrutura urbana. Ruas e estradas vicinais foram comprometidas, afetando diretamente o escoamento da produção agrícola.
Além disso, há pontos críticos com risco de deslizamento devido à saturação do solo, e canais transbordaram em diversas áreas, aumentando o alerta para novos desastres.
Festa milionária vira alvo de críticas
Em meio a esse cenário, a manutenção de uma programação com artistas de alto cachê levanta questionamentos sobre a prioridade dos gastos públicos. Críticos apontam que os recursos destinados ao entretenimento poderiam ser direcionados para obras emergenciais, como contenção de encostas e recuperação de vias.
Caso entra na mira do MP-BA
A situação colocou Ministério Público da Bahia em alerta. O órgão estabeleceu diretrizes para os festejos juninos de 2026, permitindo a realização das festas mesmo em municípios em situação de emergência, desde que critérios rigorosos sejam cumpridos.
Entre as regras estão:
- Proibição do uso de recursos emergenciais para pagamento de cachês
- Comprovação de que os gastos não afetam serviços essenciais
- Apresentação de estudo técnico que justifique o retorno econômico do evento
Além disso, o MP-BA sugeriu um teto de R$ 700 mil por contratação artística, para evitar despesas consideradas excessivas.
Gastos milionários recentes
Em 2025, Jequié investiu mais de R$ 10 milhões no São João, sendo R$ 8,7 milhões de recursos próprios e R$ 1,5 milhão oriundos do governo federal.
O que diz a prefeitura
Em nota, a gestão municipal informou que a expectativa é que o decreto de emergência deixe de vigorar antes do período junino, o que abriria caminho para a realização da festa sem impedimentos legais.