O artista baiano Zé di Cabeça, fundador do Acervo da Laje, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, terá trabalhos apresentados na SP-Arte Rotas 2026, em São Paulo. Ele integra a estreia da Galatea no evento ao lado do artista maranhense Romildo Rocha. A mostra acontece entre os dias 26 e 30 de agosto, na ARCA.
Recém-incorporados ao programa da galeria, os dois artistas apresentam produções marcadas pela relação com os territórios onde vivem. Memória, cultura popular e saberes tradicionais aparecem como elementos para a construção de diferentes narrativas sobre o Brasil, com destaque para experiências e referências do Nordeste.
Zé di Cabeça transforma cotidiano do Subúrbio em arte
Zé di Cabeça encontra no Subúrbio Ferroviário de Salvador uma das principais fontes para sua produção artística. Em caminhadas pela região, o artista recolhe madeiras de demolição, objetos descartados e materiais trazidos pela maré, que posteriormente são incorporados às obras.
Casas, igrejas, terreiros, plantas medicinais e seres do mar também fazem parte do repertório do artista. A partir desses elementos, Zé di Cabeça transforma experiências do cotidiano e lembranças do território em uma produção voltada à preservação da memória e à resistência ao apagamento de histórias locais.
A relação com o Subúrbio também está presente no Acervo da Laje, espaço independente fundado pelo artista. A iniciativa reúne obras de arte, documentos e objetos relacionados à história e à produção cultural da região, além de desenvolver atividades ligadas à memória e à educação.
Cultura popular maranhense também ganha espaço
Ao lado do artista baiano, Romildo Rocha apresentará trabalhos inspirados em experiências pessoais, familiares e na cultura popular do Maranhão.
Natural de São Luís, o artista utiliza pintura a óleo e acrílica para retratar personagens e manifestações como quebradeiras de coco, vaqueiros, o Bumba-Meu-Boi e paisagens do interior maranhense.
Romildo acumula mais de uma década de atuação em manifestações populares relacionadas ao Bumba-Meu-Boi e também desenvolveu projetos artísticos na Vila Embratel, bairro onde cresceu e vive atualmente.
Na SP-Arte Rotas, as produções de Zé di Cabeça e Romildo Rocha se encontram ao colocar território e memória no centro do trabalho artístico. As obras reforçam a arte como instrumento de preservação de histórias, valorização de identidades e visibilidade para comunidades e manifestações culturais do Nordeste.
Foto: Manuela Cavadas