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Trump sofre derrota nas eleições dos EUA e enfrenta cenário de enfraquecimento político; entenda o que acontece agora

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Vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato reduz a força política do presidente americano, que ainda poderá recorrer a vetos, decretos e decisões de política externa nos últimos dois anos de governo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta um novo cenário político após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3). O avanço dos democratas enfraqueceu sua posição em Washington e levantou dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar propostas nos dois anos restantes de mandato.

Apesar do resultado desfavorável ao seu partido, Trump surpreendeu ao adotar um discurso conciliador. O republicano parabenizou os democratas pela vitória e afirmou estar disposto a trabalhar com a oposição.

A mudança de postura, no entanto, não significa que o presidente tenha perdido seus poderes. Mesmo diante de um Congresso mais resistente, Trump ainda dispõe de instrumentos para influenciar a política americana e tentar recuperar protagonismo.

Segundo Peter Loge, diretor da Escola de Mídia e Assuntos Públicos da Universidade George Washington, o presidente costuma reagir de maneira mais agressiva quando enfrenta dificuldades políticas.

Trump perdeu a Presidência dos Estados Unidos?

Não. As eleições de meio de mandato não definem quem ocupa a Casa Branca. A votação determina a composição do Congresso americano, incluindo a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de parte do Senado.

Dessa forma, Trump permanece na Presidência até janeiro de 2029, mas poderá enfrentar maiores dificuldades para implementar sua agenda política.

A derrota republicana também ocorre em meio a críticas à condução da guerra contra o Irã, apontada como um dos fatores de desgaste do governo.

Poder de veto e decretos presidenciais

Uma das principais ferramentas que Trump ainda possui é o poder de veto. Mesmo com o avanço democrata no Congresso, o presidente pode barrar projetos de lei aprovados pelos parlamentares, embora o Legislativo possa derrubar o veto com maioria qualificada.

Outra possibilidade é recorrer a decretos presidenciais para implementar medidas administrativas sem depender diretamente da aprovação de novas leis.

Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, o governo avalia utilizar esse mecanismo para reforçar políticas migratórias mais rígidas, estratégia semelhante à adotada no início do segundo mandato.

Trump também sinalizou que pretende enfrentar eventuais investigações conduzidas pela oposição.

Guerra contra o Irã pode voltar ao centro das decisões

A política externa continua sendo uma das áreas em que o presidente americano possui maior margem de atuação.

Trump não descartou a possibilidade de retomar ataques contra o Irã, embora tenha afirmado que ainda busca um acordo para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, em conjunto com Israel.

Em entrevista à Fox News, o republicano declarou que poderá concluir a ofensiva militar caso as negociações fracassem.

Para Ryan Hass, especialista da Brookings Institution, Trump busca construir uma imagem de liderança forte, mas não necessariamente deseja ser lembrado como um presidente associado a guerras prolongadas.

O presidente também afastou especulações sobre uma possível demissão do secretário de Defesa, Pete Hegseth, caso o conflito continue.

Guerra na Ucrânia e relações com Rússia e China

Outra prioridade do governo americano é a tentativa de alcançar um cessar-fogo na guerra entre Rússia e Ucrânia.

Trump poderá intensificar a pressão diplomática para que Kiev aceite um entendimento com Moscou. Novas conversas trilaterais estão previstas para acontecer em Abu Dhabi.

Entretanto, o enfraquecimento político após as eleições pode afetar sua influência internacional, especialmente nas negociações com os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China.

O resultado eleitoral acontece às vésperas de uma possível reunião entre os três líderes em Shenzhen, na China.

Trump também mira obras milionárias em Washington

Além das disputas políticas e internacionais, Trump poderá concentrar esforços em projetos de infraestrutura e reformas na capital americana.

Durante seu último discurso antes das eleições, o presidente dedicou parte significativa de sua fala a projetos de revitalização de Washington, incluindo intervenções no entorno do Memorial Lincoln.

Entre suas principais iniciativas está a construção de um salão de festas na Casa Branca, com orçamento estimado em US$ 400 milhões.

A expectativa do presidente é concluir o empreendimento até o final de 2028, pouco antes do encerramento de seu mandato.

O que esperar dos próximos dois anos?

A derrota dos republicanos representa um obstáculo importante para a continuidade da agenda de Trump, mas não encerra sua capacidade de governar.

Com menos apoio no Congresso, o presidente poderá enfrentar bloqueios legislativos, maior fiscalização e disputas políticas mais intensas.

Ao mesmo tempo, decisões relacionadas à imigração, à política externa e ao uso de decretos presidenciais poderão continuar no centro de sua estratégia.

O principal desafio de Trump será administrar a perda de influência política enquanto tenta preservar sua imagem e construir um legado antes de deixar a Casa Branca, em janeiro de 2029.

Foto: Doug Mills/The New York Times

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