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Cultura

Banjo Novo inaugura o Verão 2026 com grande roda de samba no Porto de Salvador

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O verão em Salvador sempre teve – e tem – trilha sonora própria. Entre festas populares, ocupações de rua e encontros improvisados, o samba segue como um dos fios condutores da estação mais intensa da cidade.

É nesse cenário que, nesta sexta-feira (9), a capital baiana recebe a primeira edição do Verão Banjo Novo, no Porto de Salvador, marcando oficialmente a abertura da temporada 2026 do projeto.

Um dos puxadores da roda de samba é o cantor e professor de música Paulo Victor, que integra o grupo responsável por conduzir o encontro. No repertório, o samba aparece em suas várias camadas, com clássicos de Fundo de Quintal, Jorge Aragão e Alcione.

Paulo adianta que um dos pontos altos da roda são os sambas mais cadenciados. Sambas de roda e canções românticas se alternam ao longo da noite, sempre guiados pela resposta do público.

“O repertório vai se moldando ao clima do público. Tem momento de partido alto, tem samba mais cadenciado, tem samba para dançar, para namorar, tem samba de roda. Não dá para atender todos os pedidos, mas o que a gente consegue, faz de coração. É isso que cria essa relação tão forte com o público”, salienta.

Sem setlist fechado, o Banjo Novo se constrói no diálogo direto com quem está na roda. O público canta, pede músicas, sustenta refrões e muitas vezes define quanto tempo cada canção permanece.

“O Banjo não funciona como um show tradicional. A gente toca com o público, não para o público. A regra é simples: se a roda responde, o samba continua; se não, a música muda”, explica Paulo.

Uma das marcas do projeto é a vela acesa, elemento que organiza o tempo da roda e simboliza o momento de maior concentração musical, inspirado na tradição do samba da vela. Quando a chama se apaga, o samba continua, reforçando a ideia de permanência e convivência.

“O banjo é um instrumento muito ligado ao samba de rua. Fomos trazendo elementos muito soteropolitanos: velas, tranças, referências ao samba da vela e criamos rituais próprios, como a entrada com clarins”, conta.

Surgimento do Banjo Novo

O Banjo Novo nasceu de forma despretensiosa, em uma confraternização na laje, durante o aniversário de Samora Lopes, comunicador e um dos idealizadores do projeto. Um banjo recém-comprado, amigos reunidos e o desejo de celebrar a vida deram início ao movimento.

Filho de uma família ligada ao samba e com tradição carnavalesca em Salvador, Samora conta que o projeto se construiu a partir de um repertório afetivo e cultural já presente no cotidiano do grupo.

“Trouxemos símbolos que fazem parte da nossa vivência, nada de sagrado no palco, mas elementos do cotidiano. Tudo foi sendo construído coletivamente”, explica.

Hoje, o Banjo Novo é marcado pelo uso do branco, referências à religiosidade de matriz africana, pela vela, pela horizontalidade entre músicos e público e pela ocupação afetiva do espaço urbano.

O crescimento levou o projeto a ocupar diferentes pontos da cidade, como o Comércio, o Centro Histórico, o Santo Antônio Além do Carmo e o Desterro, transformando locais de passagem em espaços de permanência.

Consagração

Com produção majoritariamente formada por pessoas pretas, o Banjo Novo se consolidou como um dos projetos mais pulsantes da cena cultural soteropolitana.

“Saímos de uma laje, com cerca de 200 pessoas, e hoje reunimos mais de três mil em cada edição. Isso é uma grande conquista”, destaca Samora.

A escolha do Porto de Salvador para abrir o Verão Banjo Novo 2026 reforça a conexão do projeto com a cidade e com o verão baiano.

“Este verão representa uma consagração. É um momento de gratidão, confraternização e reflexão sobre o futuro”, conclui.

📍 Serviço

➡️ Verão Banjo Novo 2026 – Primeira edição
▪️ Data: Sexta-feira, 9
▪️ Horário: 19h
▪️ Local: Porto de Salvador (Comércio)
▪️ Ingressos: R$ 80 (3º e último lote)
▪️ Vendas: Plataforma Ingresso Simples

Foto: Sobral Media

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