Os blocos afro da Bahia podem ganhar um marco histórico: o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do estado, conforme projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa (Alba). A iniciativa reforça a preservação e valorização da identidade afro-brasileira.
O Projeto de Lei nº 25.965/2025, apresentado pelo deputado Radiovaldo Costa, define os blocos afro como grupos culturais e carnavalescos que promovem desfiles, músicas, danças, estética, práticas e tradições, sobretudo durante o Carnaval.
Segundo o parlamentar, o reconhecimento visa preservar a relevância histórica, cultural e social desses grupos, promovendo diversidade, fortalecendo o desenvolvimento socioeconômico e consolidando a Bahia como referência nacional e internacional na valorização das culturas de matriz africana.
“Essa medida propõe uma justiça racial que valorize a diversidade cultural, fortaleça o setor criativo e destaque a Bahia no cenário cultural brasileiro e mundial”, afirma o texto do projeto.
Blocos afro:
O primeiro bloco afro surgiu em Salvador, em 1974, com o Ilê Aiyê, criado durante a ditadura militar como expressão de resistência cultural, inspirado em líderes como Zumbi dos Palmares, Dandara e Nelson Mandela. Mais do que grupos carnavalescos, os blocos afro atuam o ano inteiro, promovendo educação, musicalização e formação cultural em comunidades negras, mantendo viva a história e identidade afro-brasileira.
Desde então, diversos blocos afro se espalharam pelo Brasil, cada um com sua identidade própria, mas todos com o mesmo objetivo: fortalecer a cultura afro-brasileira e sua presença na memória cultural do país.
Primeiro bloco afro do Brasil, Ilê Aiyê – Foto: Divulgação/SecultBA