Dois dias após a morte de Preta Gil, vítima de um câncer no intestino, a artista começa a ser oficialmente homenageada em vida e legado. A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta terça-feira (22) que o tradicional trajeto dos mega blocos de rua do Carnaval carioca passará a se chamar “Circuito de Blocos de Carnaval de Rua Preta Gil”.
O decreto foi publicado no Diário Oficial e assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), que destacou a contribuição decisiva de Preta para a retomada do carnaval de rua no Centro da cidade.
“Preta Gil teve participação fundamental na consolidação dos mega blocos e na afirmação do carnaval de rua como espaço urbano de cidadania cultural”, diz o texto oficial.
A partir de 2026, os blocos que desfilarem no novo circuito seguirão o seguinte trajeto:
Rua Primeiro de Março (entre as ruas do Rosário e Ouvidor)
Avenida Presidente Antônio Carlos
Ponto de dispersão na altura da Rua Araújo Porto Alegre
A proposta da homenagem foi idealizada pelo jornalista e amigo pessoal da cantora, Rafael Godinho, que ressaltou o papel de Preta Gil ao levar para o Rio de Janeiro a força e estética do Carnaval de Salvador, com blocos vibrantes, inclusivos e protagonizados por artistas.
Salvador também pode eternizar o nome de Preta
Na capital baiana, onde Preta construiu parte de sua trajetória artística e afetiva, uma homenagem semelhante também está em curso. A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) apresentou na Câmara Municipal de Salvador uma proposta para renomear uma avenida da cidade em homenagem à cantora.
Segundo a vereadora, Preta Gil representa muito mais do que sua música:
“Mulher preta, artista, símbolo de luta contra preconceitos — racismo, gordofobia e homofobia — defensora dos direitos LGBTQIA+, e ativista que deixou uma marca indelével na cultura e no coração do nosso povo”, justificou.
De acordo com a TV Bahia, uma das vias cotadas para a mudança de nome é a Avenida Centenário, localizada no bairro da Barra, um dos palcos centrais do Carnaval soteropolitano.
Legado de Preta Gil no Carnaval
Preta Gil foi pioneira ao unir arte, diversidade e resistência no Carnaval de rua. Seu bloco, o Bloco da Preta, é um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro e chegou a arrastar mais de 500 mil pessoas no centro da cidade, com desfiles marcados por alegria, inclusão e luta por direitos.
A cantora, que completaria 50 anos em agosto, deixa um legado artístico e social profundo, sendo reconhecida como uma das vozes mais potentes na cultura e nas causas sociais do Brasil contemporâneo.
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