Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Salvador (CMS) reacendeu um debate sensível para a maior festa de rua do planeta: a presença de trios elétricos no circuito Barra–Ondina. A proposta, apresentada pelo vereador Maurício Trindade, pretende regulamentar o uso de trios, carros de som e equipamentos móveis nesse trecho — abrindo espaço para possíveis mudanças estruturais no Carnaval de Salvador.
O secretário estadual de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, afirmou em entrevista ao Portal A TARDE que ainda não conhece o texto detalhado do projeto. No entanto, ele reforçou que qualquer alteração envolvendo um dos circuitos mais tradicionais da folia precisa passar por um debate amplo e participativo.
Discussão antiga e opiniões divididas
Monteiro lembrou que a ocupação da Barra durante o Carnaval é um tema que volta e meia retorna à pauta e que divide opiniões.
“Tem pessoas que são a favor, tem pessoas que são contrárias, e o que a gente defende é que as soluções sejam construídas de forma democrática: ouvindo a população, os moradores e quem realmente faz esse Carnaval”, afirmou.
Ele destacou que “fazer o Carnaval” vai além de artistas, produtores e donos de camarote.
“Também vendedores ambulantes, cordeiros, trabalhadores de serviços, pessoas que alugam imóveis e que movimentam a economia local. Ninguém pode ficar de fora desse processo”, completou.
Mudanças só com diálogo
O secretário reforçou que qualquer eventual decisão sobre o circuito precisa atender aos interesses da cidade como um todo.
“Essa discussão tem que ser sempre permeada pela democracia, ouvindo todas as opiniões para que se construam alternativas que sejam boas para todos — ou pelo menos para a maioria”, disse.
Enquanto o projeto segue em análise na Câmara, a possibilidade de um Carnaval sem trio na Barra segue mobilizando debates, tensões e expectativas — revelando o peso cultural e econômico desse trecho histórico da folia soteropolitana.
Foto: Uendel Galter