O Festival Supernada volta a movimentar a cena independente de Salvador nesta sexta (21) e no domingo (23), no Discodelia Pub, no Rio Vermelho. Em duas noites, seis bandas de diferentes estados apresentam propostas autorais que representam a nova fase do rock alternativo brasileiro.
Criado em 2016 e consolidado como ponto de encontro de artistas fora do mainstream, o Supernada mantém o propósito de valorizar quem produz música de forma autônoma. Nesta primeira edição pós-pandemia, o evento chega alinhado ao movimento nacional de renovação do rock. Para o idealizador, Cairo Lima, o momento é de reconstrução:
“Estamos vendo novas bandas surgirem, casas reabrirem e um público influenciado pelas tendências digitais. A essência do festival continua sendo apoiar artistas que querem circular e que enxergam Salvador como ponto estratégico entre o Sudeste e o Nordeste”, afirma.
A curadoria reúne nomes que já passaram por festivais como Feira Noise, DoSol, Coquetel Molotov e o Festival de Artes de São Cristóvão. Segundo Cairo, além da força musical, foi considerada a conexão regional e a circulação ativa das bandas. “A maioria chega ao Supernada enquanto cumpre turnês em outros eventos de novembro”, explica.
Programação
A sexta-feira (21) abre com Papangu (PB), Gastação Infinita (ES) e Carcarás (BA), em uma noite marcada por progressivo, indie e sonoridades densas.
No domingo (23), a diversidade toma conta do palco com ÀIYÉ (RJ), Lau e Eu (SE/SP) e Jardim Soma (BA).
Para o tecladista da Papangu, Rodolfo Salgueiro, tocar em Salvador representa expansão:
“É uma oportunidade importante para circular nossa música e dialogar com outras cenas. Vamos trazer músicas dos dois discos, improvisos e inéditas.”
Já o Jardim Soma destaca o impacto do festival na cena local. O vocalista Luca Bori celebra a atuação do Supernada:
“É um evento que sempre apostou na diversidade do rock baiano. Estar ao lado de bandas de fora fortalece a troca e mantém a cena viva.”
Desafios e futuro
Produzido sem editais ou patrocínios, o festival segue totalmente independente. Cairo acumula funções para manter o projeto de pé. “A independência tem seu preço, mas é o que mantém esse circuito pulsando. Incentivos culturais são essenciais — hoje, eventos independentes sustentam as turnês”, diz.
Além dos shows, o público encontra feira artística, VJ, intervenções visuais e fotógrafos convidados, reforçando o caráter de convivência e troca criativa.
A produção já planeja 2025 com expansão de parcerias e possibilidade de edições maiores. “Queremos crescer, ocupar novos espaços e trazer ainda mais artistas. Sempre guiados pelo espírito do ‘faça você mesmo’”, conclui Cairo.
SERVIÇO — Festival Supernada 2025
Papangu, Gastação Infinita, Carcarás, ÀIYÉ, Lau e Eu, Jardim Soma
Hoje, 19h, e domingo (23), 17h
Discodelia Pub & Records — Rio Vermelho
Ingressos: R$ 40 (dia) | R$ 70 (passaporte)
Vendas: Shotgun