Impactando mais de 2,3 mil moradores de Valéria, Pau da Lima e Cajazeiras, Boca de Brasa projeta talentos periféricos para o Brasil
O programa formou mais de 500 artistas oriundos das favelas em 2026, posicionando as ‘Escolas e Polos Criativos Boca de Brasa’ nos eixos de iniciação, incubação e aceleração de iniciativas artísticas.
Com aproximadamente 41% da faixa territorial de Salvador composta por favelas, segundo dados do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), as políticas públicas vêm transformando a economia criativa desses polos em mudança de vida. Através das formações educativas e do poder transformador da arte, milhares de soteropolitanos viram o caminho para crescer dentro da Cultura e trabalhar com diferentes tipos de arte.
A capital baiana, que abrange duas das quinze maiores favelas do Brasil, como o caso de Valéria, tem observado de forma concreta o impacto de políticas públicas voltadas à cultura e à formação educacional. Programas como as Escolas Criativas Boca de Brasa, por exemplo, estão abrindo caminhos para o trabalho com diversas linguagens culturais. A proposta é fortalecer a autoestima e o protagonismo nos territórios mais afastados do Centro.
Impulsionando artistas dentro das periferias de Valéria, Pau da Lima, Cajazeiras, São Caetano, Brotas e Cidade Baixa, mais de seis comunidades se viram dentro de polos criativos que visam a formação estruturada, acompanhamento técnico e oportunidades de visibilidade para talentos que independem da idade.
O programa, que já beneficiou mais de 2,3 mil agentes no Movimento Boca de Brasa, projeta centenas de artistas formados pelos Polos Criativos à fim de ampliar sua visibilidade e reconhecimento dentro da cena artístico-cultural. Esse é o caso de ANDREZZA, 28, cantora natural de Juazeiro (BA) e que reside há dois anos no bairro do Engenho Velho da Federação.
“Minha história é feita nas margens, na periferia e no interior. Eu me considero uma nerd extremamente curiosa. Me lembro que comecei na ‘Escola Criativa’, depois fui para o Programa Acelera Boca de Brasa, e desde então, meu trabalho tem ganhado notoriedade na cidade, através da contratação de shows, convite para oficinas sobre o mercado de música de Salvador e até participação no show de Gerônimo Santana no ‘2 de Julho’ eu fiz! Quando existe uma gestão preocupada e dedicada em fazer a roda girar, tudo acontece. Tudo é possível”, comenta.
Em um cenário onde “trabalhar com o que gosta” é o sonho de 24% dos moradores das favelas, segundo dados do relatório “Sonhos da Favela 2026”, do Instituto Data Favela, ter acesso aos meios que permitam a concretização desse desejo ainda é um desafio. Através de iniciativas como as Escolas Criativas Boca de Brasa, mais de 750 moradores das periferias já alcançaram sua formação, a partir das diretrizes do “Projeto Político-Pedagógico da Escola Criativa”, elaborado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), com assessoria técnica do Instituto Aliança.
A metodologia que propõe resultados a partir de histórias, linguagens e expressões culturais é resultado de três etapas: iniciação, incubação e aceleração de iniciativas artísticas. Para impulsionar as carreiras em direção aos seus sonhos, o programa desenvolve ciclos formativos organizados a partir do nível de maturidade artística de artistas e dos agentes culturais dos territórios.
Os resultados têm sido promissores, com os Acelerados Boca de Brasa ganhando destaque na cena regional, como o caso de Nega Fyah (escritora do livro “Fyah do Ódio ao Amor”) e a própria Andrezza Santos (vencedora do 23º Festival de Música Educadora FM). Em 2026, o Boca de Brasa já certificou mais de 500 artistas para trilhar o percurso artístico de Salvador para o Brasil, atuando como instrumento de valorização, profissionalização e projeção de talentos periféricos na cultura nacional.
“Quero muito que pessoas que vem de uma realidade parecida com a minha possam ocupar estes espaços e acreditar que ainda é possível ser artista, pagar contas e viver bem com a própria arte”, conclui ANDREZZA.