O Capão in Blues abriu sua segunda edição nesta quinta-feira (20) em clima de celebração, encantamento e resistência. Desde as primeiras horas do feriado da Consciência Negra, moradores, turistas e amantes da música tomaram as ruas do Vale do Capão, na Chapada Diamantina, antecipando o que seria uma noite de fortes encontros — mesmo sob frio e chuva.
A praça principal, inicialmente tímida por conta do clima, foi ganhando movimento ao longo da tarde. Quando as primeiras notas ecoaram pelo Vale, o espaço já havia se transformado em um grande anfiteatro natural, reunindo famílias, jovens e viajantes de diferentes regiões do país. Guarda-chuvas coloridos, casacos e olhares atentos criaram a moldura perfeita para dar início aos três dias de programação gratuita.
Abertura potente com Calu Manhães e Candombá Blues Dab
A primeira apresentação ficou a cargo da multiartista chapadense Calu Manhães, acompanhada pelo grupo Candombá Blues Dab (CBD) — Brian Duhay (voz e guitarra), Alex Kobs (bateria) e Cássio Nobre (baixo). Em um show inédito, Calu uniu raízes brasileiras, ritmos da floresta e nuances do blues, mergulhando o público em uma experiência que celebra ancestralidade, cultura local e a força feminina da Chapada.
Voltando a cantar “em casa”, a artista não conteve a emoção:
“É uma grande honra cantar aqui, pisar nesse chão, olhar pra esses rostos conhecidos. Sempre sinto que cantar no Capão traz uma responsabilidade maior, de devolver tudo que essa terra me deu”, afirmou.
A chuva fina que insistia em cair acabou virando parte do espetáculo. O público se aproximou do palco, formando rodas espontâneas, dançando, vibrando — em um cenário que misturava intimidade e celebração.
Alma Thomas e Uptown Band: blues norte-americano com alma brasileira
A segunda atração da noite foi a norte-americana Alma Thomas, radicada há anos no Brasil e que retorna ao Capão in Blues após marcar presença na primeira edição. Acompanhada da pernambucana Uptown Band, liderada pelos músicos Giovanni e Adriana Papaleo — vencedores do Prêmio Profissionais da Música como Melhor Banda de Blues do Brasil —, Alma entregou um show vigoroso, repleto de interação com o público e interpretações carregadas de emoção.
“É a segunda vez que venho ao festival e estou muito feliz. As músicas de hoje são muito próximas ao meu coração. Canto há anos na noite carioca e poder trazer isso para o Capão é maravilhoso”, disse antes da apresentação.
Encerramento grandioso com Rosa Marya Colin e Jefferson Gonçalves
Para fechar a primeira noite, o festival recebeu a icônica Rosa Marya Colin, que aos 79 anos reafirmou sua força como uma das maiores vozes do blues brasileiro. Ao lado do gaitista Jefferson Gonçalves, ela revisitou clássicos com intensidade e entrega total — arrancando aplausos mesmo quando a chuva apertou.
O público permaneceu firme até o último acorde.
“Estou muito feliz de estar no meio dessa natureza, fazendo blues. Dizem que blues é elitista, mas ele nasceu do mesmo lugar que o samba: da dor, dos lamentos, da resistência. Hoje São Pedro abençoou com uma chuva linda e um show maravilhoso”, celebrou Rosa.
Sustentabilidade, território e futuro
Em 2025, o Capão in Blues reforça seu compromisso com o território ao receber apoio institucional da Dax Oil, empresa baiana com 24 anos de atuação no Polo Industrial de Camaçari. A companhia soma ao festival práticas ligadas à educação, tecnologia, gestão ambiental e inclusão social, fortalecendo iniciativas da Chapada Diamantina.
A curadoria assinada por Eric Assmar privilegia a união entre tradição e contemporaneidade, convidando artistas que enxergam o blues como linguagem universal de emoção e resistência. Já o palco, projetado por Heráclito Arandas (GMF Arquitetos), integra natureza e música, proporcionando uma experiência imersiva que já se tornou marca registrada do evento.
O Capão in Blues é realizado pelo Grupo A TARDE, A TARDE FM e Viramundo Produções, com produção executiva da Trevo Produções, apoio da Prefeitura de Palmeiras e da Secretaria de Turismo da Bahia, e patrocínio da Dax Oil e do Governo da Bahia, por meio do Fazcultura.
Foto: Olhar de Lince | Divulgação