A Salvador agora conta oficialmente com a Semana do Samba em seu calendário cultural. A medida foi instituída por meio de lei municipal sancionada e publicada no Diário Oficial, com previsão de realização no fim de novembro, em conexão com o Dia Nacional do Samba, celebrado em 2 de dezembro.
A iniciativa tem origem no Projeto de Lei nº 364/2025, de autoria da vereadora Aladilce Souza (PCdoB). Segundo a parlamentar, a proposta busca valorizar o samba e suas diversas vertentes, além de fortalecer a identidade cultural e preservar a memória do gênero na capital baiana.
A legislação prevê ações voltadas à valorização do samba como patrimônio cultural, contemplando expressões como samba de roda, samba-reggae, samba de viola e samba de caboclo. Um dos destaques da lei é a garantia de que, no mínimo, 50% dos artistas e grupos participantes da programação oficial sejam oriundos das periferias da cidade.
A proposta foi construída com a participação de sambistas, compositores e produtores culturais, especialmente daqueles que atuam em regiões como Subúrbio Ferroviário, Cajazeiras, Pernambués, Plataforma e São Caetano — áreas com forte tradição no gênero.
Durante a Semana do Samba, a cidade deverá receber uma ampla programação cultural, incluindo rodas de samba, cortejos, oficinas, exposições, mostras audiovisuais, debates e atividades educativas. Também estão previstas ações voltadas à percussão, dança, composição, além de feiras de artesanato, gastronomia e música.
A lei estabelece ainda diretrizes para seleção de artistas, priorizando mestres da cultura popular, coletivos culturais, escolas de samba e projetos sociais que utilizam o gênero como ferramenta de educação. Entre as medidas, estão a criação de editais específicos para grupos de periferia, oferta de transporte gratuito ou subsidiado e possibilidade de parcerias para viabilizar os eventos, com recursos do Fundo Municipal de Cultura.
Além de preservar a memória do samba, a iniciativa também busca impulsionar o turismo cultural e a economia criativa em Salvador, reforçando o papel da cidade como um dos principais berços do gênero no Brasil.
Foto: Carlos Pinheiro