Conecte-se conosco

Cultura

Salvador recebe maior retorno de obras de arte da história do Brasil, com mais de 600 peças afro-brasileiras

Publicado

em

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, anunciou nesta segunda-feira, 26, a maior repatriação de obras de arte já realizada no Brasil. Ao todo, 666 obras de artistas afro-brasileiros retornaram ao país após mais de 30 anos no exterior e passam a integrar o acervo do museu, em um marco histórico para a preservação da memória cultural negra e para as artes visuais brasileiras.

Durante coletiva de imprensa, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a relevância simbólica do retorno e a dimensão do conjunto incorporado. “A coleção que estamos recebendo é sem precedentes para o nosso país. Estamos falando de um acervo de valor inestimável. O acervo evidencia a pluralidade estética afro-brasileira.”

A coleção foi formada ao longo de mais de três décadas por duas norte-americanas e retorna ao Brasil por meio da doação do acervo Con/vida, organizado por Bárbara Cervenka, artista plástica, e Marion Jackson, historiadora da arte.

O conjunto reúne pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, estampas e outras tipologias, abrangendo diferentes gerações, territórios e linguagens artísticas da produção afro-brasileira.

Restituição simbólica e fortalecimento da memória negra

O retorno do acervo representa um gesto de restituição e reparação simbólica, ao reverter o histórico afastamento de obras produzidas por artistas negros dos grandes circuitos institucionais, do mercado de arte e da historiografia oficial.

Para Margareth Menezes, a repatriação se conecta diretamente ao reconhecimento e à preservação desse legado. “Esse reconhecimento é também um gesto de preservação e manutenção do legado criativo e artístico da arte negra para o presente e para as futuras gerações.”

A ministra também ressaltou que a preservação do patrimônio cultural deve ser uma responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade civil, além de defender o fortalecimento da educação patrimonial como parte da formação cultural da população.

Cooperação internacional e apoio institucional

A diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, explicou que o Ministério da Cultura teve papel decisivo para viabilizar a chegada do acervo a Salvador, em um processo que envolveu articulação internacional e logística especializada.

Segundo ela, a operação contou com cooperação interministerial, envolvendo órgãos como Ministério da Fazenda, Receita Federal, Itamaraty, além de outras instituições estratégicas do governo federal.

As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro e, desde então, passam por processos técnicos de incorporação ao acervo, como conservação, laudagem e documentação museológica.

Parcerias e previsão de exposição

O museu também destacou o apoio de políticas públicas e parceiros institucionais, como a Lei Rouanet, a Petrobras e a Prefeitura de Salvador, que contribuem para a manutenção do espaço e a preservação do novo acervo.

De acordo com Cintia Maria, a expectativa é que parte das obras esteja em exibição entre o final de fevereiro e o início de março, ampliando o acesso público a um dos mais importantes conjuntos de arte afro-brasileira já reunidos no país.

A coleção inclui obras de artistas fundamentais como J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia, Manoel Bonfim, entre outros.

Ao comentar o impacto do retorno, Margareth Menezes afirmou que o valor do acervo é imensurável. “Estamos tratando de algo histórico, importante e especial, que ultrapassa qualquer dimensão financeira.”

O MUNCAB reforçou o convite ao público para conhecer o espaço e se apropriar do patrimônio cultural. Para a ministra, iniciativas como essa fortalecem a identidade coletiva: “É um valor que pertence a todas as gerações e que contribui para o fortalecimento da nossa identidade cultural”.

MUNCAB – Foto: Divulgação

Publicidade
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DESTAQUES