Indicado ao Oscar de Melhor Ator, Wagner Moura revelou que viverá a grande noite do cinema mundial ao lado do melhor amigo, Lázaro Ramos. A cerimônia do Oscar acontece no dia 15 de março, e a presença foi confirmada durante entrevista ao Letterboxd.
“Nos conhecemos há 30 anos, trabalhamos juntos, ele está vindo agora para a noite do Academy Awards”, contou Wagner.
Os dois se conheceram em Salvador, ainda adolescentes, depois que Wagner assistiu a uma peça estrelada por Lázaro. Encantado com a atuação, foi até o backstage convidá-lo para uma amizade que atravessaria décadas. “E assim viramos amigos”, relembrou.
Parceria nos palcos e nas telas
Ao longo dos anos, os baianos dividiram palco e set de filmagem em diversas produções. Uma das mais marcantes foi o filme Ó Paí, Ó, ambientado no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.
O longa traz uma cena emblemática de diálogo sobre racismo entre os personagens Boca, interpretado por Wagner, e Roque, vivido por Lázaro. No momento mais intenso, Roque questiona: “Por acaso negro não tem olhos? Não come da mesma comida? Não sofre das mesmas doenças? Não precisa dos mesmos remédios? Quando vocês dão porrada na gente, a gente não sangra igual?”.
“Eu lembro que eu tinha uma fala depois da dele, mas eu não consegui dizer nada, porque foi muito forte”, recordou Wagner na entrevista.
Celebração internacional
Recentemente, Wagner Moura venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Dramático, e Lázaro celebrou publicamente a conquista do amigo. Agora, o ator concorre ao Oscar por sua atuação em O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.
Além de Melhor Ator, o filme disputa as categorias de Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Filme. O thriller, ambientado no Recife durante a Ditadura Militar, igualou o recorde de indicações brasileiras anteriormente alcançado por Cidade de Deus.
Sobre a produção, Wagner comentou: “Eu odeio quando perguntam qual é a mensagem do filme. Não tem mensagem, as pessoas têm leituras diferentes do filme”.
Com uma amizade que começou nos palcos de Salvador e agora chega ao tapete vermelho mais famoso do mundo, Wagner e Lázaro mostram que algumas histórias são tão fortes quanto qualquer roteiro de cinema.