Deputados estaduais e federais da Bahia criticaram duramente a megaoperação realizada nesta terça-feira (28) no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho. A ação, uma das mais letais da história recente do estado, deixou ao menos 64 mortos, incluindo quatro policiais.
Para o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL-BA), a operação teve um resultado “absolutamente desastroso” para a população e reforça um modelo de segurança pública baseado na violência, e não na inteligência.
“É a operação mais letal do Rio, certamente uma das mais letais do Brasil. Uma operação planejada pelo Estado carioca com um resultado, do ponto de vista da população, absolutamente desastroso. O governo comemorando o que seria uma demonstração de força em relação ao Comando Vermelho”, afirmou Coelho.
O parlamentar criticou as chacinas e acusou o governador Cláudio Castro (PL) de apostar em ações que aprofundam o clima de medo nas comunidades, sem trazer resultados concretos.
“Mais uma vez, sem qualquer resultado. O que se vê é um clima de terror nas comunidades do Rio e nada resolvido, porque o governo não troca esse tipo de ação espetaculosa e macabra por investigação de verdade”, concluiu.
O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) afirmou que segurança pública “não se faz com pirotecnia, com espetáculo, mas com inteligência, planejamento e coordenação”. Ele destacou o sucesso de operações menos letais, como a Operação Carbono, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro sem disparar um único tiro.
Solla defendeu a PEC da Segurança Pública, que propõe um Sistema Único de Segurança Pública coordenado pela União, mas que enfrenta resistência de parlamentares da direita.
“É preciso que eles se decidam se segurança pública é prioridade ou não. O que não dá é fazer politicagem, espetáculo com vidas humanas”, disse.
A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) e a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) também criticaram a operação, afirmando que ações desse tipo têm pouca contribuição real no combate à criminalidade e servem mais a propósitos políticos.
“É um desastre. Nós não podemos celebrar a morte. Menos violência e mais inteligência”, disse Olívia.
“A população do Rio está sendo punida. É preciso atuação coordenada e investigação, não violência”, acrescentou Portugal.
O deputado estadual Robinson Almeida (PT-BA) lembrou que o modelo de segurança pública adotado no Rio repete erros históricos, com operações de alta letalidade que não resolvem a estrutura do crime organizado.
“É um remédio errado pra uma doença crônica. Só inteligência, ocupação permanente e políticas sociais vão fazer diferença”, afirmou.
O deputado federal Zé Neto (PT-BA) destacou a falta de articulação entre o governo do Rio e as forças federais, apontando que a operação teve mais caráter de “estampa” do que de efetividade real.
“Foi uma atitude de estampa, que feriu direitos humanos, ignorou a inteligência policial e não buscou coordenação. Um grande erro do governador”, concluiu.
A ação, uma das mais letais da história recente do estado, deixou ao menos 64 mortos, entre eles quatro policiais – Foto: Pablo Porciuncula / AFP