Única manifestação popular de Salvador dedicada exclusivamente a um orixá, a Festa de Iemanjá acontece na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, e deve reunir milhares de pescadores, devotos, fiéis e turistas nas ruas do Rio Vermelho para celebrar a Rainha do Mar. O evento, que mistura o sagrado e o profano, é um dos mais tradicionais e simbólicos do calendário cultural baiano.
Neste ano, a festa traz como tema “Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós”, reforçando a ligação histórica e espiritual da capital baiana com a Guardiã das Águas. Além de valorizar as religiões de matrizes africanas, o festejo também chama atenção para a preservação ambiental, especialmente das águas da Baía de Todos-os-Santos.
Programação começa no domingo
De acordo com o calendário divulgado pela Colônia de Pescadores Z1, as celebrações têm início no domingo (1º) e seguem até a segunda-feira (2), data oficial da festa.
No primeiro dia, acontece a tradicional entrega do presente de Oxum, no Dique do Tororó. O cortejo sai do Terreiro Olufanjá (Ilê Axê Iyà Olufandê), no Beiru, às 23h10, com chegada prevista para às 23h40. A entrega do presente ocorre por volta da meia-noite.
Já na segunda-feira, o presente principal de Iemanjá sai às 4h30 do galpão do Rio Vermelho, chegando à Praia de Santana às 5h, com alvorada de fogos. O presente permanece no carramanchão até às 16h, quando segue para o mar, conduzido pelos pescadores e pela Mãe Nicinha de Nanã, ialorixá do Terreiro Olufanjá. Em seguida, ocorre o cortejo marítimo até o Buraco de Iaiá, a cerca de três milhas náuticas da costa.
Transporte e acesso
Para facilitar o deslocamento do público, a Secretaria de Mobilidade (Semob) montou um esquema especial de transporte público. Serão utilizados 12 veículos da frota reguladora no sistema convencional e seis no BRT Salvador.
As linhas de ônibus que atendem o Rio Vermelho terão frota ampliada e horários estendidos, com operação até a madrugada. No BRT, a linha B2, que liga a Estação Rodoviária ao Rio Vermelho, funcionará excepcionalmente até as 23h30.
Também foram organizados pontos específicos para táxis e mototáxis, localizados na Avenida Anita Garibaldi, Rua da Paciência, Largo da Mariquita e Rua Marquês de Monte Santo.
Estacionamento de apoio
Para reduzir o fluxo de veículos na região, a Prefeitura firmou parceria com shoppings da cidade. O Shopping Itaigara e o Shopping da Bahia funcionarão como estacionamentos de apoio, mediante pagamento, com horários especiais durante os dias de festa.
Tempo firme para a celebração
A previsão do Climatempo indica tempo firme no dia 2 de fevereiro, com sol entre nuvens, temperaturas entre 26 °C e 32 °C e sem previsão de chuva, garantindo tranquilidade para os cortejos e a entrega das oferendas no mar.
Saúde, conforto e devoção
Com o calor do verão, a recomendação é usar roupas leves, manter-se bem hidratado e investir em protetor solar. Tecidos frescos, tênis confortáveis, bonés, chapéus e óculos de sol ajudam a garantir o bem-estar durante a celebração. As cores azul e branca, símbolos da festa, costumam predominar.
Para segurança, o ideal é evitar bolsas grandes, optando por doleiras ou suportes frontais. O consumo de bebidas alcoólicas deve ser feito com moderação, sempre intercalando com água.
Patrimônio cultural e preservação
A Festa de Iemanjá é registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador desde 2020. A Fundação Gregório de Mattos (FGM) desenvolve ações de salvaguarda, como o restauro da imagem da orixá em frente à Casa de Iemanjá, recuperação de embarcações dos pescadores e restauração da escultura da sereia do Largo da Mariquita.
Esquema de segurança reforçado
Um esquema especial com 1.152 profissionais, entre policiais, bombeiros e peritos, foi preparado pela Secretaria da Segurança Pública. A operação contará com policiamento ostensivo, videomonitoramento com reconhecimento facial, drones, embarcações, aeronave e a ativação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), reunindo 20 órgãos estaduais e municipais.
Devoção que atravessa séculos
Iemanjá, conhecida como Mãe dos Orixás e Rainha do Mar, tem origem na tradição iorubá e chegou ao Brasil com os povos africanos escravizados. Com o sincretismo religioso, passou a ser associada a Nossa Senhora dos Navegantes, no catolicismo. Seu nome vem da expressão iorubá “Yêyé omo ejá”, que significa “mãe cujos filhos são peixes”.
Protetora dos pescadores e marinheiros, símbolo da maternidade e da fertilidade, Iemanjá segue sendo uma das figuras mais reverenciadas da cultura baiana, reunindo fé, história e identidade em uma das celebrações mais marcantes de Salvador.
Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE