O padre Danilo César, que debochou das orações de Gilberto Gil pela saúde da filha, Preta Gil, pode ser proibido de celebrar missas caso seja condenado pelos crimes de intolerância e racismo religioso. O cantor confirmou que vai processar o religioso e pedir uma indenização de R$ 370 mil por danos morais.
As declarações polêmicas foram feitas em 27 de julho, durante uma missa na Paróquia São José, em Areial, no interior da Paraíba. Em sua pregação, o padre ironizou a fé de Gilberto Gil e questionou o poder dos orixás, divindades das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
“Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê o poder desses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”, disse o padre, em vídeo que viralizou nas redes sociais.
A família do cantor considera que houve intolerância e racismo religioso, e decidiu formalizar o processo. Segundo o advogado Alan Pitombo, presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB Bahia, o padre pode ser enquadrado na Lei Caó (Lei nº 7.716/1989), que pune crimes de discriminação por raça, cor, etnia ou religião.
Com a atualização da lei em 2023, os crimes de racismo e injúria racial passaram a ter penas mais severas — podendo chegar a cinco anos de prisão quando cometidos nas redes sociais.
“Além de ter sido cometido em ambiente virtual, o fato de o ataque ter ocorrido durante uma prática religiosa pode agravar a pena e até levar à suspensão do direito de exercer funções sacerdotais”, explicou Pitombo.
Ele também destacou que a internet se tornou um dos principais espaços para crimes de ódio:
“As redes sociais viraram terreno fértil para esse tipo de violência. Quando se ataca uma crença, atinge-se também a identidade da pessoa, causando um abalo profundo”, afirmou.
A ação é pública, e o Ministério Público da Bahia pode oferecer denúncia contra o religioso. Até o momento, o órgão não se manifestou sobre o caso.
Foto: TECA LAMBOGLIA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO