O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a defender na manhã desta quarta-feira (29) a Operação Contenção, realizada na terça-feira (28), que se tornou a mais letal da história do estado. Em entrevista coletiva, Castro afirmou que, além dos quatro policiais mortos, nenhum outro óbito seria considerado vítima, e que a ação foi um sucesso.
“De vítima, ontem, lá, só tivemos os policiais. Tirando a vida dos policiais, o resto da operação foi um sucesso”, disse o governador, classificando a ação como um “duro golpe” à criminalidade.
Castro destacou o caráter histórico da operação:
“A maior operação da história das polícias. Muitos ensinamentos foram tirados. Ontem pode ter sido o início de um grande processo no Brasil. Temos convicção que temos condições de vencer batalhas, mas sozinhos não temos condições de vencer essa guerra contra um poder bélico e financeiro”, afirmou.
O governador declarou que o governo estadual está aberto à colaboração de autoridades federais e de outros estados, mas rejeitou qualquer politização da operação:
“Quem quiser somar com o Rio de Janeiro nesse momento no combate à criminalidade é bem-vindo. Os outros, que querem fazer politicagem, nosso recado é: suma. Ou soma ou suma”, disse.
Cenário da operação
Moradores do Complexo da Penha, na zona norte, levaram na madrugada desta quarta pelo menos 70 corpos para a praça São Lucas, encontrados na mata entre os complexos do Alemão e da Penha. Somados aos 64 mortos oficialmente anunciados, a operação resultou em mais de 100 mortos.
A ação tinha como objetivo cumprir 69 mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho em 180 endereços. Até o momento, 81 pessoas foram presas, e mais de 100 fuzis foram apreendidos.
O confronto provocou um cenário de guerra na cidade, com tiroteios, veículos queimados e uso de drones pelo Comando Vermelho para lançar bombas e atrasar o avanço policial.
Castro afirmou que o trabalho de perícia e fiscalização da operação estará aberto às autoridades e que recebeu apoio de governadores de outros estados, incluindo São Paulo e Goiás, reforçando a importância da ação.
Foto: Pedro Kirilos/Estadão