Corpos estendidos no asfalto, marcas de sangue pelas ruas e intenso tiroteio marcaram a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28). A ação, sob comando do governador Cláudio Castro (PL), deixou mais de 100 mortos e dividiu opiniões pelo país.
Uma nova pesquisa do Instituto AtlasIntel, divulgada nesta sexta-feira (31) em parceria com o jornal A TARDE, mostra que 65,1% dos brasileiros acreditam que os mortos eram criminosos. Outros 27,3% dizem que as vítimas eram “criminosos e vítimas ao mesmo tempo”, enquanto apenas 3,6% afirmam que a maioria dos mortos era inocente. Já 4,1% dos entrevistados não souberam responder.
O perfil majoritário entre os que veem os mortos como criminosos inclui pessoas de 35 a 44 anos (70,4%), com ensino fundamental (77,4%) e renda de até R$ 2 mil (84,2%). O posicionamento também é predominante entre mulheres (62,7%), com diferença de apenas 5,1% em relação aos homens.
Região e voto
A Zona Norte do Rio — que abrange os próprios complexos onde ocorreu a operação, além de bairros como Vila Isabel, Madureira, Tijuca, Grajaú e Olaria — concentra o maior número de entrevistados que classificam os mortos como criminosos.
O levantamento ainda mapeou a opinião política desses entrevistados. Entre eles, 95,6% votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, enquanto 28,1% votaram em Lula (PT).
Segurança e comportamento
O tema da criminalidade também influencia a decisão de voto para 44,4% dos entrevistados, que dizem considerar as políticas de segurança entre os principais fatores eleitorais. Já 49,5% afirmam que o tema pesa, mas não é o único determinante.
O medo da violência também tem alterado a rotina da população. 72,3% dizem evitar determinados bairros, 69,6% deixaram de carregar objetos de valor e 69,3% pararam de sair à noite.
Em relação à situação da criminalidade no Rio, 83,8% dos entrevistados acreditam que o cenário está piorando, enquanto 5,5% enxergam melhora.
A pesquisa da AtlasIntel ouviu 1.089 pessoas entre 29 e 30 de outubro, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Foto: Mauro Pimentel | AFP