A 15ª Jornada de Dança da Bahia vai muito além dos palcos. O evento, que acontece de 19 a 23 de novembro de 2025, em Salvador, promete transformar a cidade em um grande espaço de reflexão sobre raça, gênero e classe na dança contemporânea, ampliando o debate sobre a falta de diversidade no balé clássico e moderno.
Realizada na Escola de Dança da UFBA, no campus de Ondina, a Jornada abrigará também a 11ª edição do Fórum de Educadores de Dança, com oficinas gratuitas, bate-papos e lançamentos de livros que tratam da representatividade e das transformações sociais na arte do movimento.
Pensar o corpo e seus territórios
Entre as atividades mais aguardadas está a oficina “O balé sem a corte: o balé clássico na contemporaneidade e as questões entre raça, gênero e classe”, ministrada por Guego Anunciação — bailarino, coreógrafo e professor baiano que vem se destacando por propor uma leitura crítica da história do balé.
Para ele, o Fórum é um espaço essencial de troca entre diferentes gerações e territórios.
“O Fórum é um espaço de partilha de saberes, que consolida um pensamento crítico e diverso sobre o ensino e criação em dança”, afirma Guego.
“A diversidade é uma potência criadora. Falar de práticas diversas é reimaginar a produção artística a partir de múltiplos mundos e modos de existir.”
A diretora da Escola Contemporânea de Dança e coordenadora da Jornada, Fatima Suarez, reforça que o maior valor do evento está justamente no intercâmbio cultural.
“São 80 professores de dança reunidos neste ano. O Fórum é importante porque cria pontes, abre portas e faz com que esses profissionais tenham acesso a novas formas de ensinar e aprender”, diz.
Um olhar crítico sobre o balé
Durante o evento, Guego Anunciação também lança seu novo livro, “Do corpo negro no balé clássico: historiografias, racismos e insurgências”, que questiona a ausência de bailarinos negros na história e nas instituições de dança.
“A ideia é discutir as bases raciais e coloniais do balé e revelar trajetórias invisibilizadas ao longo dos anos. É um convite a refletir como os corpos negros também contribuíram para essa técnica”, explica o autor.
Para Guego, o encontro representa uma oportunidade de repensar a dança como um campo político e social.
“A dança é um conhecimento transdisciplinar, e precisa dialogar com as pautas do mundo contemporâneo. Espero que o público saia com uma reflexão profunda — e com o desejo de diminuir os abismos ainda existentes nas instituições de dança.”
Programação diversificada
A Jornada contará com mostras artísticas, residências internacionais e workshops com nomes do Brasil e do exterior, como Fatima Suarez (BRA), Lori Belilove (EUA), Lucio Baglivo (ARG/ESP) e Adriana Belbussi (Uruguai). As apresentações acontecem principalmente no Espaço Xisto Bahia, com ingressos entre R$ 20 e R$ 40, e parte da programação é gratuita.
Destaque para o encerramento no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, com o espetáculo “Me La Bailo Todas”, de Lucio Baglivo, seguido de um baile aberto ao público.
👉 Confira a programação completa e valores em: www.sympla.com.br/jornada
Foto: Patricia Cramo | Divulgação