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Cultura

MAB inaugura exposições que rompem com estética tradicional do século XIX e apostam em inclusão e representatividade

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O Museu de Arte da Bahia (MAB) inaugura, nesta quinta-feira (18), às 18h, em Salvador, três exposições de longa duração que marcam uma ruptura com a estética tradicional do século XIX, historicamente associada ao imaginário doméstico das elites, e passam a enfatizar inclusão, diversidade e representatividade.

De acordo com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), as mostras “Tradição e Invenção”, “A Arte de Presciliano Silva” e “A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues” traduzem o novo posicionamento curatorial do museu, que busca se afirmar como um espaço plural, dinâmico e conectado às demandas do tempo presente.

A revisão expográfica surge da constatação de que a antiga montagem não refletia a diversidade social e cultural da Bahia. O novo projeto curatorial propõe ampliar narrativas, revisitar o acervo sob uma perspectiva crítica e valorizar agentes historicamente invisibilizados, como artesãos, trabalhadores e artistas marginalizados.

Diálogo entre passado e presente

A curadoria abandona uma leitura puramente cronológica e propõe um diálogo direto entre obras históricas e produções contemporâneas, aproximando o acervo das discussões atuais, especialmente aquelas relacionadas à representatividade étnica e ao protagonismo de mulheres artistas.

A exposição “Tradição e Invenção” reúne mais de 150 obras da pinacoteca do MAB, além de oito peças emprestadas de outras instituições e de artistas contemporâneos, como Tiago Sant’Ana e Mike San Chagas. A mostra revisita a tradição das artes plásticas baianas, do período barroco ao século XX, tensionando o conceito de invenção e ampliando leituras sobre permanências, rupturas e transformações estéticas.

Um dos destaques é a valorização da produção de artistas negros, evidenciando o alto nível técnico e expressivo de criadores que, no pós-abolição, precisaram afirmar publicamente sua autoria como estratégia de legitimação e reconhecimento no circuito artístico.

Já as exposições “A Arte de Presciliano Silva” e “A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues” apresentam conjuntos significativos de obras de dois artistas que possuem forte presença no acervo do museu. As mostras oferecem uma visão abrangente de suas trajetórias e de seus contextos históricos, ampliando o entendimento sobre suas contribuições para a arte baiana.

Museu para as múltiplas Bahias

A concepção e a curadoria das exposições são assinadas pela Comissão Curatorial do Acervo do MAB, formada por profissionais do museu e docentes da UFBA e da UNEB. Para a historiadora e mestre em museologia Camila Guerreiro, integrante da comissão, o MAB “não pode ser apenas um espaço de contemplação da elite; precisa refletir as múltiplas Bahias”. Já o diretor do museu, Pola Ribeiro, destaca que a revisão conceitual é fruto de uma reflexão profunda sobre o papel social dos museus no século XXI.

🖼️ Exposições em cartaz no MAB

  • Carybé e o Povo da Bahia
  • Desperta Ferro
  • O Caminho de Volta – Andarilhos
  • Arte africana: Máscaras e Esculturas
  • Tradição e Invenção
  • A Arte de Presciliano Silva
  • A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues
  • CURTAMAB – Sala de audiovisual com curtas da exposição O Caminho de Volta, de Hilda Salomão

Serviço

Museu de Arte da Bahia (MAB)
📍 Avenida Sete de Setembro, Corredor da Vitória – Salvador
⏰ Terça a domingo, das 10h às 18h

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