Uma árvore ancestral que guarda memórias, corpos que cantam e histórias que se reconhecem. Assim se apresenta o espetáculo “Meus Cabelos Baobá”, que segue em curta temporada de verão no Teatro Jorge Amado, em Salvador, até o próximo domingo, dia 18.
Nesta quinta-feira, a montagem ganha uma sessão especial a preços populares, com ingressos a partir de R$ 10. De sexta a domingo, os valores variam entre R$ 25 e R$ 60, com vendas disponíveis no Sympla e na bilheteria do teatro.
Em cena, as atrizes Luana Xavier, Márcia Limma e Meniky Marla conduzem o público por uma fábula poética sobre o feminino negro. A narrativa é acompanhada pelas musicistas Aisha Araújo, Ingride Nascimento, Ivone Jesus e Meg Azevedo, que executam ao vivo a trilha sonora, ampliando a força sensorial da encenação.
A obra se constrói como um rito de passagem e celebração ancestral, tendo o baobá — árvore sagrada símbolo de força, memória e sabedoria — como eixo central da narrativa. A dramaturgia acompanha a trajetória de uma menina negra que atravessa infância, maturidade e ancestralidade, costurando canto, dança, memória e resistência. Inspirada nas mitologias africanas e na escrita de Conceição Evaristo, a montagem coloca o corpo negro feminino como território de criação, enfrentamento e reinvenção.
Dirigido por Fred Soares e Luiz Antonio Sena Jr., o espetáculo nasce de uma experiência marcante do primeiro diretor com o texto original. “Em 2019, vi a montagem no Rio de Janeiro e saí profundamente impactado pela força ancestral presente em cena”, relembra Fred, que também associa a atual encenação a um reposicionamento pessoal e artístico em sua trajetória.
Definido pelo diretor como um “espetáculo musical ancestral”, Meus Cabelos Baobá aposta em uma estética que valoriza sustentabilidade, naturalidade e reconexão com a natureza. O palco é coberto por cerca de 1,5 tonelada de terra viva, além de uma árvore cenográfica criada por Pedro Caldas, elementos que intensificam a experiência sensorial desde a entrada do público, marcada por fragrâncias de alfazema e incenso.
Os figurinos, assinados por Luciano Santana, dialogam com os processos de amadurecimento da mulher negra e trazem referências simbólicas ligadas a Oxum, orixá presente nas religiões de matriz africana.
Para a atriz Meniky Marla, a construção da personagem atravessa diferentes camadas emocionais e etárias. “Acionar o sagrado feminino e convocar toda a ancestralidade que carrego foi e continua sendo um fortalecimento que ultrapassa a personagem”, afirma. Já Luana Xavier destaca a dimensão coletiva do processo criativo e a continuidade de um legado construído por grandes atrizes negras do teatro e da televisão brasileira.
Apesar da forte presença da ancestralidade, os diretores reforçam que o espetáculo não tem caráter religioso. “É uma peça para todos os públicos, para quem acredita na força da resiliência e do amor próprio”, ressalta Fred Soares.
A temporada acontece de forma independente, sem incentivo ou patrocínio, o que impossibilitou a oferta de recursos de acessibilidade nesta edição.
Serviço
Meus Cabelos Baobá
📅 Hoje, às 20h – ingressos a partir de R$ 10
📅 Sexta, às 20h – R$ 50 e R$ 25
📅 Sábado, às 19h, e domingo, às 18h – R$ 60 e R$ 30
📍 Teatro Jorge Amado – Av. Manoel Dias da Silva, 2177, Pituba
🎟 Vendas: Sympla e bilheteria do teatro
Foto: Diney Araújo | Divulgação