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Cultura

Carlinhos Brown abre Arrastão com padê, apelo por novo circuito e discurso contra violência

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O tradicional Arrastão da Quarta-feira de Cinzas ganhou tom de espiritualidade e reflexão neste ano. Idealizador do evento, Carlinhos Brown deu início à despedida do Carnaval com o ritual do padê no circuito Barra-Ondina (Dodô), seguido pelas orações do Pai Nosso e da Ave Maria, simbolizando a união das diferentes crenças que formam a identidade baiana.

Antes de subir ao trio, o artista — conhecido como “Cacique do Candeal” — desceu à pista para saudar os orixás e homenagear Iemanjá ao som de “Na Beira do Mar”. Neste ano, Brown se apresentou acompanhado por uma banda percussiva formada exclusivamente por mulheres, destacando o protagonismo feminino na música da Bahia.

Apelo por mudanças no Carnaval

Durante a apresentação, o cantor também fez um alerta sobre o futuro da festa, que registrou superlotação histórica em 2026. Ele defendeu a criação de um novo circuito para preservar as estruturas tradicionais.

“Não podemos destruir a Barra nem o Campo Grande. É preciso encontrar o caminho que essa cidade foi designada para a alegria”, declarou.

Manifesto por respeito e menos violência

Em discurso emocionado, Brown aproveitou o momento para pedir mais empatia e respeito às mulheres, crianças, idosos e à diversidade sexual.

“Que a cada dia a gente diminua a violência que existe entre nós. Não ao desrespeito com as mulheres, não ao descuido com as crianças e com os idosos. Não ao desrespeito com aqueles que já nasceram decidindo por Deus em sua sexualidade e vida”, afirmou.

O Arrastão seguiu em direção a Ondina, reunindo uma multidão de foliões e trabalhadores que prolongaram a festa até os últimos acordes do Carnaval.

 Foto: Shirley Stolze | Ag. A TARDE

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