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Cultura

Maior repatriação de obras afro-brasileiras já realizada no país chega ao Muncab

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O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, passa a abrigar a maior repatriação de obras de arte afro-brasileira já realizada no Brasil. Ao todo, 665 trabalhos de 135 artistas brasileiros foram incorporados ao acervo da instituição após doação das historiadoras de arte norte-americanas Bárbara Cervenka e Marion Jackson.

Durante mais de 30 anos, as pesquisadoras percorreram o Nordeste adquirindo pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, xilogravuras e obras de arte sacra produzidas entre as décadas de 1960 e 2000 — em sua maioria assinadas por artistas negros. Entre os nomes presentes na coleção estão J. Cunha, Babalu (Sinval Nonato Cunha), Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Emma Valle.

A operação de retorno das obras envolveu logística internacional, trâmites alfandegários e procedimentos técnicos de conservação museológica, contando com o apoio de órgãos públicos e parceiros institucionais.

Parte significativa do acervo poderá ser vista na exposição “Inclassificáveis”, que será aberta no próximo mês com cerca de 100 obras selecionadas. A mostra propõe revisitar categorias historicamente atribuídas à produção de artistas negros, frequentemente enquadrados como “arte popular” ou “naïf”, e questionar critérios tradicionais da historiografia da arte.

De acordo com a direção do museu, a coleção amplia as possibilidades de leitura sobre autoria, circulação e memória na arte brasileira, além de fortalecer o acervo permanente da instituição. A iniciativa também dialoga com debates contemporâneos sobre o papel dos museus na valorização de narrativas historicamente marginalizadas.

Ao longo do ano, o Muncab desenvolverá programação complementar, com novas exposições, publicações e ações educativas vinculadas à coleção recém-incorporada.

Para a instituição, a chegada das obras representa um marco para as artes visuais e para a museologia no país, ao reverter o histórico de dispersão da produção de artistas negros e reafirmar a Bahia como território central da cultura afro-brasileira.

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