Uma tradição nascida na Bahia há mais de 90 anos vem ganhando força no interior de São Paulo e ajudando a preservar alambiques centenários em Monte Alegre do Sul, município conhecido como a “Capital da Cachaça”.
Chamado de Fecha Corpo, o ritual popular se transformou em uma das principais atrações turísticas da cidade durante a Semana Santa e passou a movimentar o turismo rural, atraindo milhares de visitantes todos os anos.
A prática surgiu em 1935, na cidade de Tanquinho, na Bahia. Segundo a história contada pelos organizadores, o fazendeiro Zezé Valente enfrentava problemas de saúde quando recebeu da benzedeira Nhá Sabá um gole de cachaça preparado com arruda, alecrim e guiné. Após a recuperação, ele prometeu compartilhar a bebida com outras pessoas.
Anos depois, em 1948, Zezé se mudou para Monte Alegre do Sul e levou consigo a tradição, que acabou se espalhando pela região e dando origem à chamada Rota do Fecha Corpo, passeio turístico em que visitantes percorrem os alambiques locais e participam do ritual.
“Ele ficou bom e prometeu compartilhar a bebida com outras pessoas. Mais tarde, quando mudou-se para Monte Alegre do Sul, trouxe o hábito, que se espalhou por toda a região”, contou Maurício Valente, neto de Zezé, em entrevista ao Valor Econômico.
Atualmente, o Fecha Corpo é reconhecido como Patrimônio Imaterial de Monte Alegre do Sul e tem sido fundamental para manter viva a produção artesanal de cachaça na região.
Um dos exemplos é a Cachaça Campanari, fundada em 1932. O alambique quase encerrou as atividades em 2023, mas foi recuperado por Máira Campanari, que deixou o emprego em uma multinacional para assumir os negócios da família.
Além da divulgação nas redes sociais, Máira aponta o crescimento do turismo ligado ao Fecha Corpo como um dos principais fatores para a revitalização da marca. Apenas em 2025, a Campanari recebeu mais de 1.100 visitantes. Neste ano, o número já ultrapassou 1.500 turistas.
A família mantém métodos artesanais de produção e aposta na preservação de variedades crioulas de cana e milho, reforçando a conexão entre tradição, cultura e turismo rural.
Foto: Divulgação/Campanari