Imóvel de luxo em Angra dos Reis possui 11 suítes, praia privativa e heliponto; jogador apresentou documentos para contestar direitos de ocupação reivindicados por empresa ligada a Willer Tomaz
Uma ilha de luxo avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões, localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, tornou-se alvo de uma disputa envolvendo o jogador Richarlison, o advogado Willer Tomaz e menções ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A propriedade, situada na Ilha Comprida, possui 11 suítes, heliponto, acesso exclusivo à praia e uma queda d’água que desemboca diretamente no mar.
O atacante do Tottenham afirma ter adquirido os direitos de ocupação da área em 2020, em sociedade com outros investidores. Segundo o jogador, aproximadamente R$ 10 milhões foram investidos na aquisição desses direitos e em reformas realizadas no imóvel.
A controvérsia ganhou novos desdobramentos após Richarlison divulgar, na quarta-feira (21), contratos, registros administrativos e números de processos judiciais para sustentar sua versão sobre a negociação.
Entenda a disputa pela ilha milionária
Embora seja conhecida como uma propriedade de luxo, a área em disputa pertence à União. Por isso, o conflito judicial não envolve a propriedade definitiva da ilha, mas o direito de ocupação de uma parte específica do território.
A documentação apresentada por Richarlison aponta uma sequência de negociações iniciada em 2011. Já o advogado Willer Tomaz fundamenta sua reivindicação em registros administrativos que remontam a 1975.
A empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, ligada a Tomaz, passou a constar no cadastro de direitos de ocupação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em 2022.
Richarlison questiona a velocidade do procedimento administrativo. Segundo os documentos divulgados pelo atleta, a transferência para a empresa WT teria sido aprovada em apenas um dia, em julho de 2022.
Em comparação, o jogador afirma que seu próprio pedido de regularização, apresentado em setembro de 2021, permaneceu sem resposta por aproximadamente dez meses.
Qual é a ligação de Flávio Bolsonaro com a ilha?
O nome do senador Flávio Bolsonaro aparece na controvérsia em razão de sua relação com o advogado Willer Tomaz.
Segundo Richarlison, Flávio, apontado como amigo do advogado, teria demonstrado interesse em adquirir a propriedade, mas a proposta não foi aceita.
O senador, por sua vez, afirma que sua participação no caso se limitou à condição de testemunha em um dos processos judiciais.
A empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A nega irregularidades e sustenta que adquiriu legitimamente os direitos de ocupação da área.
Richarlison divulga documentos após desafio de advogado
A divulgação dos documentos ocorreu depois de um desafio público feito por Willer Tomaz em 17 de outubro.
Na ocasião, o advogado concedeu um prazo de 72 horas para que Richarlison apresentasse documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem seu vínculo com o imóvel, além de comprovantes dos aproximadamente R$ 10 milhões investidos.
Tomaz afirmou que, caso as provas fossem consideradas válidas, transferiria os direitos sobre a propriedade sem exigir pagamento.
Em resposta, Richarlison publicou um vídeo no Instagram apresentando imagens de contratos e números de processos judiciais que, segundo ele, comprovam a legitimidade da negociação.
Disputa chega ao Supremo Tribunal Federal
O caso também foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Os deputados federais Rogério Correia e Pedro Uczai solicitaram ao ministro Alexandre de Moraes a suspensão da transferência dos direitos de ocupação da área.
Os parlamentares pedem esclarecimentos sobre o procedimento conduzido pela Secretaria do Patrimônio da União, a origem dos recursos envolvidos, a participação das empresas e a possibilidade de influência política na operação.
O pedido também prevê a oitiva de Richarlison e de outras pessoas relacionadas às negociações.
Justiça ainda não deu decisão definitiva sobre a disputa
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve uma decisão favorável à empresa WT, considerando que a controvérsia exigiria nova análise de provas e cláusulas contratuais.
Posteriormente, a empresa Sport 70, ligada a Richarlison, desistiu da ação, que foi extinta sem julgamento do mérito.
Apesar da divulgação dos documentos pelo jogador, o material apresentado publicamente não representa uma decisão judicial definitiva sobre quem possui o direito de ocupação da área.
A disputa permanece marcada por versões divergentes, questionamentos administrativos e desdobramentos judiciais envolvendo um dos imóveis mais luxuosos da região de Angra dos Reis.