A defesa do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou nesta sexta-feira (18) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um pedido para revogar a prisão preventiva do banqueiro ou substituí-la por medidas cautelares.
Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Os advogados sustentam que a manutenção da prisão precisa ser reavaliada e citam a indefinição no Supremo sobre a condução dos procedimentos relacionados ao caso.
Um dos argumentos apresentados pela defesa é o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino durante a sessão do plenário do STF da última terça-feira (15). Na ocasião, os ministros discutiam questões relacionadas à relatoria, à competência e aos desdobramentos das investigações do Caso Master.
Com a suspensão da análise, a defesa afirma que não há perspectiva imediata para uma definição sobre o andamento dos procedimentos e argumenta que Vorcaro não pode permanecer preso por tempo indeterminado enquanto questões internas da Corte continuam pendentes.
“Na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem, cujo julgamento foi suspenso por pedido de vista”, afirma trecho da petição.
Os advogados também citam a necessidade de revisão periódica da prisão preventiva. Segundo a defesa, o segundo período de 90 dias para a reavaliação da medida terminou no fim de agosto. O prazo não determina a libertação automática do investigado, mas exige que a necessidade da prisão seja novamente analisada pelo Judiciário.
A defesa argumenta ainda que os fundamentos utilizados para justificar a prisão teriam perdido força ao longo das investigações, diante de medidas como bloqueios de contas e valores, apreensão e indisponibilidade de bens.
Vorcaro está atualmente detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, espaço conhecido como Papudinha, próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Caso Master no STF
As investigações envolvendo o Banco Master passaram a provocar uma disputa no Supremo após o surgimento de informações relacionadas a integrantes da própria Corte.
O ministro André Mendonça, que conduzia procedimentos relacionados ao caso, determinou medidas envolvendo materiais apreendidos durante as investigações. Posteriormente, Fachin determinou o envio dos processos relacionados ao Banco Master para a Presidência do STF, enquanto a Corte passou a discutir questões de competência e relatoria.
Parte da controvérsia envolve mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e possíveis contatos com o ministro Alexandre de Moraes. A eventual abertura de investigação sobre o magistrado tornou-se objeto de discussão no plenário.
Durante a sessão de 15 de setembro, Flávio Dino pediu vista, suspendendo a análise antes de uma definição sobre os próximos passos.
Enquanto o Supremo não resolve o impasse, a defesa de Vorcaro sustenta que a indefinição institucional não deve resultar na manutenção prolongada da prisão preventiva do ex-banqueiro.
O pedido agora aguarda análise de Edson Fachin.
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