Enquanto muitos ainda enxergam Salvador apenas pelas praias e festas de verão, uma guia decidiu mudar completamente essa narrativa — e acabou transformando o turismo na capital baiana.
Com quase duas décadas de atuação, Nilzete Santos se tornou um dos principais nomes do afro turismo no Brasil ao criar a Afro Tours, agência pioneira dedicada a experiências que valorizam a cultura, a ancestralidade e a história negra de Salvador.
A iniciativa nasceu em 2007, a partir da inquietação de Nilzete com a ausência da cultura afro-brasileira nos roteiros tradicionais. Na época, a proposta enfrentou resistência, mas hoje é referência e atrai visitantes do mundo inteiro interessados em uma imersão mais profunda na identidade baiana.
“Foi preciso insistir e acreditar que esse era o caminho certo. Hoje, ver o afro turismo crescer no Brasil é uma grande realização”, afirma.
Os roteiros vão muito além do convencional, incluindo visitas a bairros históricos, museus, restaurantes de culinária afro-baiana e terreiros de candomblé — proporcionando uma experiência cultural, educativa e também espiritual.
Um dos destaques é o projeto “Caminho dos Orixás”, que apresenta aos visitantes elementos do sincretismo religioso da cidade, passando por locais emblemáticos como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.
Para Nilzete, o trabalho também tem um papel social importante: combater a intolerância religiosa e desconstruir preconceitos.
“Muita gente não sabia como entrar em um terreiro e tinha uma visão distorcida. Mostrar essa realidade é fundamental para promover respeito e entendimento”, explica.
Apesar do fluxo intenso de turistas no verão, ela destaca que o afro turismo ganha mais força fora da alta temporada, quando há mais espaço para vivências culturais autênticas e organizadas.
Hoje, o trabalho de Nilzete não só abriu caminhos, como também ajudou a reposicionar Salvador no mapa do turismo cultural — mostrando que a verdadeira essência da cidade vai muito além do óbvio.