Deputado estadual eleito com a segunda maior votação do Rio de Janeiro é suspeito de envolvimento em organização criminosa que utilizaria postos de combustíveis para lavagem de dinheiro
A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e aliado político de Flávio Bolsonaro (PL). A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Canella é suspeito de integrar uma organização criminosa que, segundo as investigações, teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O valor consta em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Polícia Federal.
Além do parlamentar eleito, também foi preso Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Operação mira 112 empresas e esquema bilionário
Ao todo, os agentes cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em oito municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Entre os presos estão os policiais civis Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior. Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo, também foi detido.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas suspeitas de participação no esquema.
Desse total, 96 são postos de combustíveis que, conforme a Polícia Federal, teriam sido utilizados para disfarçar a origem ilícita de recursos financeiros.
As investigações também apontam indícios de participação de agentes públicos e de articulação político-institucional nas atividades da organização.
Aliado de Flávio Bolsonaro foi o segundo deputado mais votado do RJ
Márcio Canella conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições realizadas no último dia 4 de outubro.
O político recebeu 197.178 votos, correspondentes a 2,24% dos votos válidos, garantindo a segunda maior votação entre os 70 deputados estaduais eleitos.
Ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Canella é identificado como aliado político do senador Flávio Bolsonaro.
Canella já havia sido preso em julho
Esta não é a primeira vez que o político é detido durante uma ação da Polícia Federal.
Em julho, Canella foi preso em flagrante depois que agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 mm no veículo em que ele estava. A abordagem ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne.
Na ocasião, o então investigado alegou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança.
Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua soltura, estabelecendo medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.
Investigados podem responder por corrupção e organização criminosa
A Operação Unha e Carne já teve entre seus alvos nomes como Rodrigo Bacellar, TH Joias, Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio.
Nesta nova etapa, os investigados poderão responder, conforme o envolvimento individual apurado, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa das ações em apoio à Polícia Federal e reafirmou que não tolera irregularidades praticadas por seus integrantes.
“A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades”, declarou o órgão.
A prisão preventiva de Márcio Canella ocorre poucos dias após sua eleição para a Alerj. As suspeitas investigadas ainda dependem de apuração judicial, e a prisão não representa condenação.
Foto: Divulgação/Alerj