Presidente afirmou que democracia brasileira pertence aos brasileiros e criticou medidas unilaterais no comércio internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania do Brasil e criticou interferências externas durante discurso na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York, nos Estados Unidos.
Ao abordar as relações internacionais, Lula afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos é inevitável, mas ressaltou que o Brasil pretende manter autonomia na condução de sua política externa e ampliar parcerias voltadas ao desenvolvimento.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou o presidente, em uma das principais frases de seu pronunciamento. A defesa da soberania e a rejeição à ingerência estrangeira estiveram entre os principais eixos do discurso.
Lula também afirmou que o cenário internacional exige escolhas entre diferentes caminhos para o futuro das relações entre os países.
“Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou.
Ao tratar do processo eleitoral brasileiro, o presidente disse que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e alertou para tentativas de interferência externa em eleições.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, declarou. A preocupação com interferências externas no processo eleitoral também foi destacada por Lula durante a fala.
Comércio e multilateralismo
O presidente também criticou medidas comerciais unilaterais e abordou a situação da Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmando que a instituição “respira por aparelhos”. Ao longo do pronunciamento, Lula voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e das instituições internacionais.
O discurso ainda passou por temas como combate ao crime organizado, inteligência artificial, redes digitais, proteção do Pix, comércio internacional, meio ambiente e conflitos internacionais. Lula também defendeu maior cooperação entre os países no enfrentamento de problemas globais.
O Brasil tradicionalmente é o primeiro país a discursar no Debate Geral da Assembleia Geral da ONU. Em 2026, representantes dos 193 Estados-membros participam da 81ª sessão, realizada entre 22 e 28 de setembro.
Foto: Ricardo Stuckert