O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de reações adversas graves em parte dos imunizados. A medida foi divulgada na segunda-feira (8) e permanecerá em vigor enquanto os casos são investigados pelas autoridades de saúde.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estados e municípios serão orientados a interromper imediatamente o uso do imunizante. As doses já distribuídas deverão permanecer armazenadas em condições adequadas de refrigeração até a conclusão das análises técnicas.
Além da suspensão preventiva, o ministério determinou o rastreamento de possíveis novos eventos adversos relacionados à vacinação. As secretarias de saúde deverão revisar registros locais, identificar ocorrências suspeitas e reforçar a notificação de casos.
A orientação também prevê monitoramento especial em hospitais e unidades de saúde para pacientes vacinados recentemente que apresentem sintomas compatíveis com dengue ou sinais de agravamento do quadro clínico. A análise dos casos será realizada por lote e região para auxiliar na identificação de possíveis padrões.
As investigações incluem dois óbitos registrados após a aplicação da vacina. Até o momento, as autoridades afirmam que não há comprovação definitiva de relação entre o imunizante e as mortes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada e deve participar da apuração junto ao laboratório responsável.
De acordo com dados da farmacovigilância, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados entre janeiro e 30 de maio de 2026, correspondendo a cerca de 0,7% das pessoas vacinadas. Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais considerados de alerta, índice classificado como muito raro pelas autoridades sanitárias.
Especialistas avaliam os episódios para identificar possíveis características em comum entre os pacientes afetados. O objetivo é determinar se existe alguma relação entre os eventos adversos e a vacinação.
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre persistente, dores abdominais intensas, vômitos frequentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, irritabilidade ou sinais de desidratação.
A pasta informou ainda que a suspensão não afeta a vacina Qdenga, produzida pela Takeda e aplicada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em públicos específicos.
Foto: Instituto Butantan