Brasil e Estados Unidos podem enfrentar um novo desgaste diplomático em meio à possibilidade de aplicação de um novo tarifaço pelo governo Donald Trump, desta vez de 37,5%, impulsionado pela discussão envolvendo a eventual extradição do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O político, que vive nos Estados Unidos, foi condenado nesta semana pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, em razão de sua atuação no exterior durante investigações relacionadas à chamada trama golpista.
Em resposta à decisão, Eduardo Bolsonaro afirmou que pretende internacionalizar o caso e buscar apoio em canais diplomáticos e políticos nos Estados Unidos para pressionar instituições brasileiras.
O episódio reacende o debate sobre cooperação jurídica internacional e possíveis impactos diplomáticos entre os dois países. Nos bastidores, autoridades avaliam que um eventual pedido de extradição teria baixa chance de ser aceito pelo governo norte-americano, o que poderia ampliar o desgaste institucional entre Brasília e Washington.
O tema também é comparado ao caso da ex-deputada Carla Zambelli, após a negativa de extradição por parte da Justiça italiana, cenário que aumentou a preocupação sobre a efetividade de pedidos semelhantes.
Como funciona o processo de extradição ativa, o Supremo Tribunal Federal envia o pedido ao Ministério da Justiça, que avalia a admissibilidade antes de encaminhar o caso ao Itamaraty, responsável pela comunicação oficial com o governo estrangeiro.
A avaliação no governo brasileiro e no STF é de que uma eventual negativa por parte dos Estados Unidos poderia reforçar críticas internacionais ao sistema judicial do país e ampliar o impacto político do caso.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados