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Instituto de filme sobre Bolsonaro entra na mira da polícia por contrato sob suspeita.

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A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de superfaturamento em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de internet sem fio em comunidades da capital. As apurações fazem parte da Operação Wi-Fi e analisam possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos.

Segundo os investigadores, o contrato previa pagamentos acima dos valores de referência utilizados pela Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam). Enquanto a estatal estimava custos de R$ 306 por ponto instalado, além de R$ 200 mensais para manutenção, o acordo com o instituto previa cobrança de R$ 1.800 por unidade.

O Instituto Conhecer Brasil, representado por Karina Ferreira da Gama, também é responsável pela produção do documentário “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a investigação, parte dos recursos supostamente obtidos por meio do contrato público teria sido direcionada à produtora Go Up Entertainment Ltda., empresa ligada à mesma representante do instituto.

Outra frente de apuração analisa movimentações financeiras relacionadas ao financiamento do documentário. Documentos do inquérito apontam que o senador Flávio Bolsonaro teria atuado na aproximação entre os responsáveis pelo projeto e o banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar investimentos na produção. A coordenação executiva do filme ficou a cargo do deputado federal Mario Frias.

Auditorias citadas na investigação indicam que aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido transferidos para o projeto audiovisual por meio de uma subsidiária ligada ao Banco Master, utilizando um fundo de investimentos sediado no Texas, nos Estados Unidos. Os parlamentares envolvidos negam qualquer irregularidade ou repasse ilegal.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou que o valor efetivo do contrato em 2026 corresponde a R$ 1.280 por ponto mensal, montante que, segundo a prefeitura, estaria abaixo de cotações realizadas em anos anteriores. A administração municipal também destacou que o processo de contratação ocorreu por chamamento público e que tem colaborado com as investigações.

A prefeitura sustenta ainda que o aditivo contratual mais recente teve como objetivo apenas a manutenção dos pontos de internet já existentes, rejeitando a acusação de pagamentos indevidos ou de expansão irregular do projeto. As investigações continuam e, até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.

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