O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que determina o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A medida garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução dos salários, e estabelece a diminuição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
A mudança representa um marco na legislação trabalhista brasileira e a primeira alteração constitucional no limite da jornada semanal desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
Apesar da aprovação definitiva, as novas regras não terão aplicação imediata. A implementação ocorrerá em etapas, permitindo que empresas e trabalhadores se adaptem ao novo modelo.
Quando o fim da escala 6×1 começa a valer?
De acordo com o texto promulgado, a transição será realizada em duas fases, com os prazos contados a partir da publicação da emenda no Diário Oficial.
Na primeira etapa, prevista para dois meses após a promulgação, a jornada máxima de trabalho será reduzida de 44 para 42 horas semanais. Nesse período, os trabalhadores já terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana.
Após mais 12 meses, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, mantendo a garantia das duas folgas.
Considerando a promulgação em outubro de 2026 e a publicação da emenda ainda neste mês, a previsão é que a primeira mudança entre em vigor em dezembro de 2026, enquanto a redução para 40 horas semanais ocorra em dezembro de 2027. As datas exatas dependem da publicação oficial.
O que muda na rotina dos trabalhadores?
A principal mudança será o fim do modelo tradicional de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
Com a nova regra, os trabalhadores terão direito a dois dias de repouso remunerado por semana, sem diminuição dos salários.
Um desses dias deverá ser, preferencialmente, o domingo. Isso não significa, entretanto, que todas as empresas serão obrigadas a conceder folgas aos sábados e domingos. A distribuição dos dias de descanso poderá variar conforme as escalas adotadas.
A alteração também poderá atingir profissionais que já trabalham de segunda a sexta-feira, especialmente aqueles que cumprem jornadas maiores durante a semana para compensar as horas do sábado.
Horas extras e banco de horas continuam permitidos
A redução da jornada máxima semanal não significa o fim das horas extras ou dos mecanismos de compensação de horários.
Instrumentos como o banco de horas poderão continuar sendo utilizados, desde que respeitadas as regras trabalhistas e os novos limites constitucionais.
Lula participa de cerimônia histórica no Congresso
A promulgação da emenda ocorreu no plenário do Senado Federal e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A proposta havia sido aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação.
Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), a medida não necessita de sanção presidencial. Após a aprovação nas duas Casas do Congresso, cabe ao próprio Legislativo promulgar a alteração constitucional.
Com a nova regra, o Brasil inicia uma transição para uma jornada de trabalho reduzida, com a garantia de mais um dia de descanso semanal e a manutenção dos salários.
Foto: Reprodução/TV Globo